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Qual é o buraco negro mais próximo da Terra?

Recentemente fui entrevistado pela Revista Galileu e a pergunta era

“qual é o buraco negro mais próximo da Terra?”

Estimamos que existam centenas de milhões de buracos negros estelares — cuja massa é cerca de dez vezes maior que a massa do nosso Sol — espalhados na Nossa Galáxia, que foram criados devido à morte de estrelas suficientemente massivas. Por diversas razões, só conseguimos observar e estudar com cuidados uma fração minúsculas destes buracos negros, algumas dezenas deles. Os buracos negros estelares na nossa galáxia geralmente estão localizados em sistemas binários, nos quais uma estrela e o buraco negro “dançam” um ao redor do outro num balé frenético.

Dos buracos negros estelares que conhecemos, o mais próximo atualmente chama-se V616 Monocerotis e está situado a aproximadamente 3000 anos-luz de distância. O “monocerotis” do nome explica-se pelo fato deste objeto estar localizado na direção da constelação de unicórnio (monoceros em grego). Estima-se que a massa deste buraco negro esteja no intervalo 9-13 massas solares.

Não se preocupem: não corremos o perigo de cair neste buraco negro. Como falei na entrevista, só correríamos um sério perigo de cair neste buraco negro se chegássemos a uma distância de algumas centenas de quilômetros que é a distância de “atração fatal” neste caso e pode ser calculada usando a teoria da relatividade geral. Para se ter noção, um ano-luz corresponde a cerca de 9 trilhões de quilômetros! Ou seja, estamos a uma distância muito segura para contemplar V616 Monocerotis usando os nossos telescópios aqui na Terra.

17 maneiras de ser morto(a) por um buraco negro: Vídeo no Youtube

A vídeo da palestra de divulgação científica “17 maneiras de ser morto(a) por um buraco negro”, que eu dei no IAG USP no dia 29 de Maio de 2014, foi publicado no youtube. A conteúdo da palestra é destinado ao público geral, e requer somente nível de física do ensino médio.

Houve um público recorde de cerca de 120 pessoas para assistir à palestra, que foi parte do ciclo de palestras “Astronomia ao Meio Dia”.

Pergunte a um astrônomo: Fusão de buracos negros supermassivos

Recebi uma pergunta sobre a fusão de buracos negros supermassivos que é muito interessante (“pergunte a um astrônomo”, IAG USP):

Partindo da ideia de que dois buracos negros supermassivos podem se colidir e fundirem em um único, pergunto: Caso isso acontecesse isso perturbaria a estrutura do espaço-tempo ao redor do evento certo? Caso houvesse um quasar que fosse alimentado por um desses buracos negros que se colidiram ele poderia aumentar o grau de perturbação deste evento caso entrasse no horizonte de evento do buraco negro originado?

Sim, a fusão de dois buracos negros perturba violentamente o espaço ao seu redor, através da geração de intensas ondas gravitacionais, num agitado balé gravitacional. Depois da fusão dos buracos negros, a geração de ondas gravitacionais intensas cessa e o que resta é um único buraco negro supermassivo cuja massa é a soma das massas dos dois buracos negros anteriores. Correspondentemente, o raio do horizonte de eventos corresponde à soma dos raios dos buracos negros anteriores. Os astrônomos têm observado vários sistemas que são candidatos a “sistemas binários de buracos negros supermassivos” no universo, no centro de algumas galáxias.

Caso um quasar — que é um buraco negro supermassivo voraz no seu centro de uma galáxia, ativamente almoçando uma grande quantidade de gás (um rodízio de churrasco cósmico para o buraco negro) — entrasse em rota de colisão com o buraco negro formado no processo descrito no parágrafo acima, este processo geraria por si só um sistema binário de buracos negros que passaria novamente a gerar fortes ondas gravitacionais. Tal evento culminaria na fusão destes objetos e formação de um buraco negro ainda mais massivo.